Preço de referência do leite nas mãos do produtor

Os produtores de leite do Rio Grande do Sul deverão ter, durante 2024, uma ferramenta para prever o preço que receberão da indústria pela matéria-prima que entregam. Amplamente utilizada pelos produtores de leite do Paraná e de Santa Catarina, a calculadora virtual, como chama o Conselho Conjunto dos Produtores e Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS), voltou à agenda de organizações, produtores e gaúchos de laticínios.

“A planilha foi criada pela Universidade de Passo Fundo em 2012 e 2013. Foi um projeto piloto. Mas na época o conselho entendeu que o setor não estava maduro para utilizá-lo”, lembra o novo coordenador do Conseleite/RS, Allan André Tormen. O produtor, que também é presidente do Sindicato Rural de Erechim e integra o Comitê de Leite e Laticínios da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), voltou ao assunto ao assumir recentemente a gestão do grupo por o biénio 2024/2025.

A ideia é que a ferramenta seja disponibilizada nos sites do Conseleite/RS e de órgãos representativos dos produtores e das indústrias. O objetivo é permitir ao produtor o entendimento dos parâmetros de remuneração com base na avaliação da qualidade do leite regulamentada pelas instruções regulamentadoras 76 e 77 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). “O fabricante inserirá na planilha os níveis de gordura e proteína, contagem de células somáticas (CCS), contagem bacteriana total (CBT) e volume vendido por dia. A partir disso você terá um valor base para o leite produzido na sua propriedade”, explica Allan Tormen.

A calculadora virtual também deverá revelar ao criador a representatividade de cada um dos itens de qualidade avaliados na formação do seu preço de referência. “O preço que a calculadora vai mostrar será do leite 100%, mas você poderá saber quanto do prêmio ou desconto é devido à gordura, proteína, sólidos, CCS e CBT”, explica Tormen. De acordo com a legislação em vigor, o leite padrão deve conter 3,5% de gordura, 3,1% de proteína, entre 400.000 e 500.000 células somáticas e menos de 300.000 CBT.

O secretário-executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Derivados (Sindilat), Darlan Palharini, informa que o assunto agora está sendo analisado pela Câmara Técnica e Econômica (Camatec) do Conseleite. “Estamos discutindo a calibração dos padrões de qualidade que serão adotados. O valor de referência será diferente para os produtores que vendem, por exemplo, até 200 litros de leite por dia e para os que vendem 500 litros por dia”, sublinha. A previsão é que o módulo esteja disponível na área até o final do primeiro semestre. Por enquanto o trabalho centra-se na atualização dos indicadores essenciais para a inteligência do instrumento.

Segundo o vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag/RS), Eugênio Zanetti, a iniciativa vai valorizar o leite produzido no RS. “Consideramos uma boa ferramenta para apoiar os produtores, também para melhorar a questão da negociação com as indústrias”, avalia.


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