Francilício e Francilúcio: Homem inocente preso por estupro no RS diz que está ‘sem rumo’ um mês após ser solto | Rio Grande do Sul

‘Sem propósito’, diz homem preso por engano no RS

Francilício é freelancer e atua em serviços manuais como capina e pintura. Também oferece cursos de relaxamento e terapia holística. Ele diz que perdeu clientes após o episódio.

“Estou sem rumo, sabe, isso destruiu tudo. Isso quebrou o rumo de nossas vidas”, ele pergunta.

O trabalhador autônomo pensa em buscar indenização pelo erro.

Morador de Vera Cruz, RS, Francilício dos Santos Nogueira mostra alvará — Foto: RBS TV

Francilício foi preso após confusão na XII Vara Criminal de Fortaleza. No dia 4 de janeiro, a Brigada Militar, Polícia Militar do Rio Grande do Sul, cumpriu o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça.

[Entraram] dois policiais disseram à minha esposa que esconder um fugitivo era crime. Eles já entraram pela porta. Eles vieram aqui apontando armas para mim. Eu meio que sorri para eles. Disseram que não era brincadeira: “a casa caiu”. E minha esposa perguntou ‘por que isso aconteceu’, ‘o que estava acontecendo’, e eles disseram: ‘ele sabe por quê'”, diz ele.

O crime que motivou o mandado de prisão foi cometido em Fortaleza, em 2010. Francilício afirma que nunca esteve no Ceará, tendo se mudado do Acre para o Rio Grande do Sul em 2005.

Francilício dos Santos Nogueira trabalha como freelancer e pratica terapia holística no RS — Foto: RBS TV

Após a prisão, Francilício foi levado à delegacia e, no mesmo dia, encaminhado ao presídio estadual de Santa Cruz do Sul, cidade próxima a Vera Cruz. Lá o freelancer cortou seus longos cabelos, seguindo as regras do sistema prisional.

Enquanto isso, seus familiares lutavam para provar sua inocência, o que só foi possível graças à iniciativa dos filhos adolescentes do trabalhador autônomo. A autorização de soltura só foi emitida no dia 8 de janeiro.

Autonomo cortou o cabelo depois de ser levado para a prisão. — Foto: arquivo pessoal

O juiz cearense que concedeu a liberdade a Francilício reconheceu que o autônomo se confundiu no mandado de prisão.

“Acrescenta-se que em nenhum momento dos documentos principais foi mencionado o nome de Francilício dos Santos Nogueira, uma vez que o arguido é, na verdade, Francilúcio, existindo ainda certidão da autoridade policial atestando que não foi possível localizar ou realizar a qualificação indireta de Francilúcio. […] Resulta, portanto, dos documentos que o requerente foi detido no lugar da pessoa do mesmo nome, devendo a sua prisão ser imediatamente mitigada, sob pena de coação ilícita”, lê-se num trecho da decisão.

O Tribunal de Justiça do Ceará disse que analisou os mandados de prisão pendentes e enviou notificação às autoridades policiais para investigar o caso, pedindo esclarecimentos.

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