Diferentemente do RS, Litoral Norte tem apenas sete casos confirmados de dengue

Enquanto o Rio Grande do Sul sofre com as preocupações e os efeitos da dengue, com 93,7% dos municípios infestados pelo mosquito Aedes Egypti, ou 466 de 497, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), o Litoral Norte vive um situação de relativa tranquilidade, segundo a 18ª Coordenadoria Regional de Saúde (18ª CRS), responsável por 23 municípios, entre Torres e Tavares, no chamado Litoral Médio.

Nesta região, o comportamento do inseto transmissor não mudou tanto quanto em outras em 2024, o que não significa que não haverá situação de alerta no início do ano. “Tivemos sete casos confirmados de dengue em nossa região em janeiro, sendo quatro indígenas, ou seja, contraídos no próprio município”, destacou a vice-coordenadora da 18ª CRS, Janete Ferri Teixeira. No total foram duas confirmações em Capão da Canoa, mais duas em Torres, outras tantas em Santo Antônio da Patrulha e uma em Tramandaí.

Um dado que confirma isso, continua ele, é o Levantamento de Índice Rápido de Aedes no Egito (LIRAa), realizado em janeiro, que destacou baixa presença de larvas e deu relativa tranquilidade aos gestores. Mas dados da SES atualizados na última sexta-feira mostram que quase 70% dos municípios da 18ª coordenação estavam infestados, ou 16 de 23, enquanto pouco mais de 30% não tinham infestações: Caraá, Dom Pedro de Alcântara, Itati, Maquiné e Morrinhos do Sul são aldeias de montanha perto do mar e Tavares está longe da agitação da costa norte.

“Temos em conta que acolhemos mais de um milhão de pessoas, por isso são poucos os casos nesta comparação”, sublinhou, acrescentando que a infestação ocorre quando há presença do Aedes a Egypti num território nos últimos 12 meses. Outro fator, disse ela, é que os meses mais críticos para casos de dengue no litoral são abril e maio, quando quase todos os veranistas voltaram para suas cidades de origem e as casas de praia permanecem vazias, às vezes por meses. “Isso é um desafio para nós”, diz Janete.Nos meses de dezembro e janeiro as residências são ocupadas, após geralmente terem sido previamente limpas, o que diminui a possibilidade de criadouros.

Em 2016, a SES emitiu uma portaria regulamentando a permissão de entrada em prédios abandonados ou fechados para eliminar possíveis locais de proliferação, mas segundo o CRS isso não acontece na prática, por “riscos legais”. Há, portanto, dependência do morador ou proprietário da residência. Os efeitos da dengue não foram sentidos nem na rede pública de saúde, diz Janete, pelo menos por enquanto, mas a vice-coordenadora ressaltou que são ministradas capacitações periódicas às equipes de urgência e atenção básica.

De qualquer forma, a Coordenação do Litoral Norte deverá começar em breve a utilizar duas técnicas já presentes em outras localidades para eliminar os vetores: as ovitrampas, ou armadilhas para coleta de ovos do mosquito, e a pulverização intradomiciliar de resíduos (BRI), técnica ingressada no Rio Grande do Sul desde o início de 2023 como projeto piloto, e consiste na aplicação de um inseticida com poder residual em residências e locais de grande circulação, como escolas, centros comunitários e postos de saúde, para eliminar o mosquito, que, além da dengue, também transmite o zika e a própria chikungunya.


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