A onda de calor será muito prolongada e deverá ganhar ainda mais força

Estimated read time 6 min read

A MetSul Meteorologia alerta que a onda de calor que atinge o Rio Grande do Sul desde meados da semana passada deve continuar por muitos dias em um período prolongado de altas temperaturas acima das médias históricas. Alerta-se também que a onda de calor tenderá a se intensificar nos próximos dias com máximas próximas ou acima de 40ºC, caracterizando calor excessivo em diversas regiões do Rio Grande do Sul.

O Rio Grande do Sul está sob efeito de uma grande massa de ar seco e quente que cobre a Argentina com uma cúpula de calor no país vizinho, fazendo com que a temperatura em diversas províncias argentinas ultrapasse os 40ºC dia após dia. A Argentina registra mais de dez dias consecutivos com temperaturas acima de 40ºC.

Ontem, sábado, o Rio Grande do Sul registrou as temperaturas mais altas até o momento nesta onda de calor. Segundo dados das estações oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia, neste sábado as máximas mais altas foram registradas no oeste do estado com registros de 39,8ºC em Quaraí; 38,3ºC em Uruguaiana; 37,3ºC em Alegrete; 37,1ºC em São Luiz Gonzaga; e 36,5ºC em São Borja.

O calor também foi forte nas cidades do Centro, Grande Porto Alegre e vales, embora com temperaturas mais baixas que no Oeste. As estações oficiais indicaram temperaturas máximas de 36,2ºC em Santa Maria; 36,1ºC em Campo Bom; e 36,0ºC em Rio Pardo. Em Porto Alegre, a temperatura máxima no Jardim Botânico chegou a 35ºC.

Pelas previsões da MetSul, a perspectiva é de calor durante toda a semana no Rio Grande do Sul. Todos os modelos analisados ​​indicam que as altas temperaturas invadirão o período do Carnaval com pelo menos mais uma semana de calor excessivo em grande parte da região gaúcha.

Dados do modelo indicam que na segunda quinzena desta semana o centro da bolha de calor deverá se deslocar gradativamente do nordeste da Argentina e do Paraguai para o Rio Grande do Sul, o que aumentará ainda mais as temperaturas com tardes excessivamente quentes.

Com isso, a segunda quinzena desta semana e o período inicial do Carnaval deverão ter dias de calor muito intenso e em algumas localidades calor extremo. Várias regiões do Rio Grande do Sul deverão ter temperaturas próximas ou acima de 40ºC, incluindo Porto Alegre e região metropolitana.

Os dias mais quentes tendem a ser sexta-feira e sábado, altura em que um grande número de concelhos deverá registar máximas próximas ou superiores a 40ºC, mas prevê-se tempo muito quente nos dias anteriores com máximas superiores a 35ºC em várias cidades, sobretudo na metade ocidental.

Onda de calor será úmida no Carnaval

Esta onda de calor teve predominância de tempo seco desde o início, fazendo com que os dias sejam ensolarados e aguaceiros localizados só ocorram devido ao calor excessivo. Esse cenário tende a persistir durante grande parte desta semana.

Durante o Carnaval, porém, é esperada maior umidade no estado. O efeito será trazer nuvens e pancadas de chuva com mais frequência e para mais locais em todo o estado. Como a atmosfera estará aquecida, durante o Carnaval aumenta o risco de episódios isolados de chuvas extremas ou fortes em curto período e de trovoadas em áreas localizadas com risco de vendavais.

Outra consequência da maior entrada de umidade no Carnaval serão as temperaturas mínimas. Até agora, e continuará durante a maior parte da semana, o ar mais seco que cobre o Rio Grande do Sul tem proporcionado noites agradáveis ​​após tardes muito quentes. Durante o Carnaval, em alguns dias, as temperaturas mínimas serão muito elevadas com clima mais úmido e muito abafado. Em algumas cidades haverá noites e madrugadas com temperaturas próximas dos 30ºC.

Isso explica o período prolongado de calor excessivo

Uma bolha de calor, também chamada de cúpula ou cúpula de calor, está em operação há muitos dias na Argentina e no Rio Grande do Sul está sofrendo seus efeitos. Uma bolha de calor ocorre em áreas de alta pressão que atuam como cúpulas de calor e têm ar que afunda (subsidência). Isto comprime o ar no solo e através da compressão aquece a coluna de ar.

Resumindo, uma cúpula de calor é criada quando uma área de alta pressão permanece sobre a mesma área por dias ou até semanas, retendo ar muito quente por baixo, como a tampa de uma frigideira. Esta bolha de calor estará agora centrada entre o Paraguai e o centro-oeste do Brasil.

É, portanto, um processo físico na atmosfera. As massas de ar quente expandem-se verticalmente na atmosfera, criando uma cúpula de alta pressão que desvia os sistemas climáticos – como as frentes frias – à sua volta. À medida que o sistema de alta pressão se estabiliza sobre uma região, o ar abaixo dele aquece a atmosfera e dissipa a cobertura de nuvens. O alto ângulo do sol de verão combinado com o céu limpo ou parcialmente nublado aquece ainda mais o solo.

Evidências de estudos sugerem que as alterações climáticas estão a aumentar a frequência de cúpulas de calor intenso, bombeando-as para níveis mais altos na atmosfera, não muito diferente da adição de mais ar quente a um balão de ar quente já aquecido. Portanto, diversos estudos indicam aumento na intensidade, duração e frequência das ondas de calor no Brasil e no mundo.

A MetSul Meteorologia está nos canais do WhatsApp. Cadastre-se aqui para acessar o canal do aplicativo de mensagens e receber previsões, alertas e informações sobre os mais importantes eventos meteorológicos e climáticos do Brasil e do mundo, com dados e informações exclusivas da nossa equipe de meteorologistas.

+ There are no comments

Add yours