Setor suíno do Rio Grande do Sul busca ampliar corredores de importação de milho

As suinoculturas do Rio Grande do Sul estão trabalhando para expandir os corredores de importação de milho dos vizinhos do Brasil. A mobilização tem como foco o aproveitamento da divisa entre o município de Porto Mauá, no Rio Grande do Sul, no noroeste do estado, e a cidade argentina de Alba Posse. “Enviamos solicitação formal à Superintendência do Ministério da Agricultura do Rio Grande do Sul para designar um profissional no local para facilitar a entrada das cargas de milho”, afirma o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Swinos do Rio Grande do Sul (Sips), Rogério Kerber.

Depois de duas lavouras de milho terem sido arruinadas pela seca em 2022 e 2023, e depois de praticamente um terço da produção de 2024 já ter sido atingida pelo excesso de chuvas, a portaria prevê mais um ano de fortes importações de grãos pelo RS. “Trabalhamos na alfândega do porto de Porto Mauá. É necessário que um técnico do Ministério da Agricultura verifique a carga que ali entra. Já temos em Porto Xavier, São Borja e Uruguaiana, mas para algumas empresas é melhor que a carga entre em Porto Mauá”, explica o diretor.

O pedido é respaldado pelas previsões otimistas para as colheitas de milho na Argentina e no Paraguai, de onde, segundo Kerber, o milho já chega ao estado. Com uma procura superior a 6 milhões de toneladas, face a uma produção que, em 2024, não poderá ultrapassar os 5 milhões de toneladas, prevê-se um aumento nas compras de outros países e estados.

“Para nós (o cenário) é frustrante. Se não tivesse havido problemas climáticos, a colheita do milho teria sido verdadeiramente excelente. Mas, infelizmente, mais uma vez não temos a perspectiva que imaginávamos que alcançaríamos”, afirma Kerber. Segundo o Raio X Agrícola do RS 2023, a Argentina enviou 218 milhões de toneladas de milho ao estado em 2022, enquanto o Paraguai enviou 189,1 milhões de toneladas. Foram provenientes de outros estados 2,96 milhões de toneladas, totalizando 3,37 milhões de toneladas de milho importadas pelas indústrias gaúchas no período. O valor foi 40% superior ao volume importado de 2021, de 2,4 milhões de toneladas, e responde à queda de 55% na safra de trigo de 2022, de 2,75 milhões de toneladas. Em 2020, foram importadas 2,6 milhões de toneladas de trigo pelo RS.

As previsões sobre quanta matéria-prima chegará de cada estado ou país neste ano ainda são incertas. Isso porque, assim como o excesso de chuvas afetou a produtividade do milho precoce no Estado, a escassez hídrica reduzirá a produtividade das culturas no Centro-Oeste.

Segundo relatório de Oferta e Demanda do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), divulgado em 15 de janeiro, a produção de milho de Mato Grosso deverá ser 17% menor que no ano passado. Nos estados do Sul, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a redução é estimada em 11,4% no Paraná e 6,6% em Santa Catarina. No Mato Grosso do Sul, a projeção é que a colheita seja 14,4% menor que a do ano passado, redução que chega a 13,7% em São Paulo e 14,3% em Minas Gerais.

Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado, ressalta, porém, que a oferta local de milho não será afetada. A consultoria estima que a produção gaúcha, embora inferior a 7 milhões de toneladas, atenderá à demanda. “A Safras & Mercado está com o número atual de 7,2 milhões de toneladas e deverá reduzir para 6 a 7 milhões de toneladas na próxima atualização. O problema é a área cultivada, bem como os níveis de produtividade, que já são registrados no Estado, em média 80 a 90 sacas por hectare”, explica.

O especialista alerta que, nos últimos três anos, houve exageros nas estimativas de cortes de safra no Rio Grande do Sul. Por exemplo, ele cita que, em 2023, a queda elevou a produção para pouco mais de 4 milhões de toneladas e foi suficiente para atender a demanda de todo o estado. “Mas algumas estimativas locais mostram colheitas bem abaixo desse valor, à semelhança do que está sendo feito com a safra de 2024”, avalia.

As exportações gaúchas de milho também impulsionarão a real necessidade de aquisição do grão em outras localidades. “Teremos que ver quanto será exportado e quanto Santa Catarina comprará do Rio Grande do Sul. Existem produtores gaúchos integrados em Concórdia e Chapecó, por exemplo”, especifica Kerber, garantindo que “haverá não faltará milho”.

Molinari diz que o Rio Grande do Sul exportou 560 mil toneladas de cereais em 2023. Para 2024, ele estima que a Argentina, com safra recorde, deverá capturar a maior parte da demanda internacional, principalmente no primeiro semestre. “Os preços externos estão voltando mais próximos da média histórica. Isso torna o Brasil menos competitivo nas exportações. O porto e o interior têm fortes diferenças de preços em 2024 devido aos preços externos muito baixos neste momento”, aponta.

Segundo boletim Safras & Mercado de 24 de janeiro, o milho foi vendido entre R$ 67 e R$ 70 por saca no porto de Paranaguá. No Rio Grande do Sul, o preço ficou entre R$ 59 e R$ 62 por saca em Erechim. E, no Mato Grosso, entre R$ 45 e R$ 50 por saca em Rondonópolis.



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