Prefeitura de Porto Alegre assinou contrato de venda da Carris

A Câmara Municipal de Porto Alegre e a Empresa de Transportes Públicos de Viamão assinaram esta terça-feira (23) um contrato de compra e venda e concessão de 30 linhas da Carris. Inicialmente haverá um período de transição com auxílio do Executivo. Durante cerca de 90 dias, uma comissão formada por técnicos e gestores da Prefeitura prestará auxílio na operação do serviço.

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“Cumprimos a missão e os compromissos assumidos pela gestão. A privatização da Carris é um processo fundamental para o futuro dos transportes públicos na nossa cidade com o objetivo de modernizar e melhorar o sistema. Não há cidade sem mobilidade urbana. Este é um passo concreto para melhorar o atendimento aos usuários e não aumentar os custos no bolso dos cidadãos que dependem desse meio de transporte”, afirmou o prefeito Sebastião Melo (MDB) na solenidade.

Atualmente a Carris conta com 1.125 colaboradores ativos. O edital garante continuidade no emprego para 80% dos trabalhadores, apenas nos primeiros doze meses, enquanto 20% dos trabalhadores podem ser demitidos por Viamão no primeiro ano de sua gestão.

Em negociação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), tramita proposta da Prefeitura para prorrogar por 12 meses a estabilidade para todos os trabalhadores. Até a última sessão do TRT, realizada na sexta-feira (19), o Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre (STETPOA) não havia acatado a proposta.

O vice-presidente do sindicato, Sandro Abbade, disse que o grupo rejeitou a proposta, embora ainda houvesse esperança de que a empresa não fosse vendida. Esta quinta-feira (25), o STETPOA vai colocar uma urna na Carris para que os trabalhadores possam voltar a apreciar a proposta. Além dos doze meses de estabilidade, o plano de saúde deverá ser mantido por três meses após a demissão do trabalhador.

Para os sindicalistas, a privatização começou com o desmonte da Carris, desde o governo de Nelson Marchezan Júnior (PSDB). “A Câmara deixou de investir na Carris há muito tempo. A Câmara Municipal deixou de investir em peças de reposição, deixou de investir em manutenção, deixou de investir em cursos de profissionalização. Então, isto está a levar à privatização e a privatização será em breve a salvação para uma empresa centenária”, disse, mas sublinhou que Viamão pode não estar preparado para a missão. “O Viamão vai enfrentar a Carris à sua maneira, porque se houver um problema de falta de gasóleo, de falta de peças no mercado, então eles não estão preparados para resolver. O ônibus ficará sem ônibus por falta de manutenção, pois está desmontado há anos. A Carris foi cancelada devido à privatização.”

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