O presidente da Câmara Sebastião Melo entregou definitivamente a Carris

Estimated read time 4 min read

Nesta terça-feira (23) o prefeito Sebastião Melo (MDB) entregou definitivamente a Cia Carris à iniciativa privada, assinando contrato com a Empresa de Transporte Coletivo de Viamão. Com isso, 100% do transporte público da capital gaúcha será fornecido por “iniciativas privadas”. A Cia Carris detém 22% da linha de produção e ainda possui a melhor frota em operação.

:: Carris é vendida pela prefeitura de Porto Alegre ::

Com a assinatura definitiva do contrato, nos próximos cinco dias, a Prefeitura receberá R$ 12,5 milhões do total oferecido pela empresa de R$ 109.861.560,00. O contrato assinado também regulamenta a venda de ações e bens, como ônibus e terrenos. É também possível que a sede administrativa e a garagem da Carris não sejam adquiridas, sendo o seu valor deduzido do valor devido. Neste caso, a Empresa de Transporte Público de Viamão poderá alugar o prédio junto à prefeitura.

O CEO da Empresa de Transportes Públicos de Viamão, Leonel Bortoncello, no seu discurso prometeu manter o nome Carris. Além disso, a sua missão inclui restaurar a fiabilidade da empresa e renovar a frota, começando pela aquisição de 62 autocarros, dos quais 56 deverão entrar ao serviço nos primeiros quatro meses deste ano. Durante cerca de 90 dias, uma comissão formada por técnicos e gestores da prefeitura prestará auxílio no funcionamento do serviço.

Posição do trabalhador

Atualmente a Carris conta com 1.125 colaboradores ativos. O edital garante a manutenção do vínculo empregatício para 80% dos trabalhadores apenas nos primeiros 12 meses, enquanto 20% dos trabalhadores podem ser demitidos por Viamão a qualquer momento no primeiro ano de sua gestão.

Em negociação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), tramita proposta apresentada pela prefeitura para prorrogar por 12 meses a estabilidade para todos os trabalhadores. Até a última sessão do TRT, realizada na última sexta-feira (19), o Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre (STETPOA) não havia acatado a proposta.

: Greve dos trabalhadores dos autocarros em dia do leilão de privatização da Carris ::

Segundo o vice-presidente do STETPOA, Sandro Abadde, esta quinta-feira (25), o sindicato vai colocar uma urna na Carris para que os trabalhadores possam voltar a apreciar a proposta. Além dos 12 meses de estabilidade, o plano de saúde deverá ser mantido por mais três meses após a demissão do trabalhador.

Para Abadde, a privatização começou com o desmonte da Carris, desde o governo de Nelson Marchezan Júnior (PSDB). “A Câmara deixou de investir na Carris há muito tempo. A Câmara Municipal deixou de investir em peças de reposição, deixou de investir em manutenção, deixou de investir em cursos de profissionalização. Então, isto está a levar à privatização e a privatização será em breve a salvação para uma empresa centenária”, disse, mas sublinhou que Viamão pode não estar preparado para a missão.

“O Viamão vai enfrentar a Carris à sua maneira, porque se houver um problema de falta de gasóleo, de falta de peças no mercado, então eles não estão preparados para resolver. O ônibus ficará sem ônibus por falta de manutenção, pois está desmontado há anos. A Carris foi cancelada devido à privatização.”

Taxas mais altas para cumprir a lei

O principal motivo da privatização alegado pela prefeitura é porque os custos arcados pelas empresas serão 20% superiores aos custos arcados pelo setor privado. No entanto, segundo o economista André Augustin, investigador do Observatório das Metrópoles, os custos mais elevados da Carris devem-se ao facto de a Carris ser a única empresa que cumpre a lei.

“A Carris tem mais autocarros climatizados do que as empresas privadas, então obviamente os custos são mais elevados. Ele segue a lei e as empresas privadas não. Na última vez que a Câmara divulgou uma planilha de custos (em 2021), 94% da frota da Carris tinha ar condicionado e as frotas privadas tinham 41%. A oferta dizia que tinha que ser 100%.

Quando questionado pela imprensa sobre como garantir que a privatização não se torne um problema, como aconteceu com a CEEE após a sua venda ao Grupo Equatorial, Melo respondeu: “São duas coisas muito diferentes. Em primeiro lugar, atualmente 78% do sistema é privado e isso rege-se pelo cumprimento dos contratos, se a frota está atualizada, se o ar condicionado está a funcionar, o que a EPTC já está a fazer com outras (empresas de transporte). Se (a empresa) não o fizer, serão aplicadas sanções apropriadas. Agora, isto é muito diferente de um monopólio de electricidade. Isto é privatização, mas muito diferente.”

*Com informações da CUT-RS e Sul21


Montagem: Kátia Marko


+ There are no comments

Add yours