Jornalista Elmar Bones completa 80 anos e lança projeto “Uma Homenagem à Fronteira”

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Ao completar 80 anos na semana de 23 de janeiro, o jornalista, escritor Elmar Bones da Costa, anunciou que se aposentaria das honras jornalísticas e se dedicaria a um novo projeto de história pictórica que vinha desenvolvendo nas páginas do jornal há muitos mais anos. a partir dos 30 anos. Entre suas obras sobre esse tema destacam-se ilustrações dos 300 anos de história do Rio Grande do Sul, Porto Alegre e Viamão, por exemplo.
Nesta nova proposta, os jornalistas se concentrarão no projeto denominado “Fronteiras que escolhem a paz”, que conta os fatos históricos de Sant’Ana do Livramento e do Rivera. “Esta é uma espécie de homenagem que presto à terra que não me deu à luz, mas que me deu a base que me sustentou pela vida”, sublinhou Bones.

Elmar Bones, jornalista completou 80 anos em 23 de janeiro

Jornalistas dizem que ele nasceu em Cacequi e quando tinha 1 ano sua família veio morar em Livramento. Naquela época, em 1945, seu pai, ferroviário, sofreu um acidente, caiu nos trilhos do trem e teve um dos braços amputado. “Cresci aqui, sempre morei nas periferias: Passinho das Lavadeiras, Vila Júlio de Castilhos, Pontilhão, Coxilha dos Loucos, Beco do Maragato. Entre as pessoas “pobres”, honestas e trabalhadoras, absorvi as regras de convivência e solidariedade. Lá aprendi a ter esperança e a não desistir. O Livramento me deu acesso à escola pública (meus pais não tinham condições de pagar uma escola particular). Escolas públicas de qualidade, no Grupo Escola General Neto e no Colégio Estadual, professores que abriram portas para um mundo que me era inacessível. Dona Hilda que me ensinou alfabetização; Agapito que me expressou os sentimentos cristãos de fraternidade, solidariedade e respeito; Professor Muller que me ensinou os rudimentos do latim, que foram inestimáveis ​​na luta sem fim contra as armadilhas do português; Foi Alfredo Paiva quem me fez ler Machado de Assis e Eça de Queiroz, Dona Judith quem me fez ver a importância de conhecer a história”, lembra.
Em seus 60 anos de trabalho dedicado a informar a sociedade, o jornalista Elmar Bones lembra que tudo começou com seu primeiro emprego no Jornal A Plateia.
“Lembro-me do “seu” Farias, da livraria da esquina da praça, que nos viu – Kenny Braga e eu – folheando livros e nos deu de presente porque sabia que não tínhamos dinheiro para comprá-los. Dona Isolina, em cuja escolinha na sua sala aprendi a datilografar de graça, o que me garantiu meu primeiro emprego na Plateia onde descobri o jornalismo. Então, esse novo trabalho que eu queria fazer era uma ideia antiga que formulei quando dirigia Audiência em 1982 e 1983, mas ainda em andamento, fiz minha primeira pesquisa lá. A principal inspiração para dar continuidade a este projeto veio de um livro escrito pelo historiador Antonio Cacciatore de Garcia: “Fronteira Iluminada”. O livro, resultado de 30 anos de pesquisa documental em Lisboa, Madrid, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Montevidéu, descreve uma disputa única entre Espanha e Portugal pela terra do novo mundo que começou antes mesmo da descoberta – mais de 500 anos, um confronto diplomático e armado que, segundo Cacciatore, culminou no tratado exemplar que deu origem a esta “fronteira de paz”. E é este o contexto que lhe transmitiremos.
Segundo o jornalista, esse trabalho contará com a participação da população de Santaná e do Rio de Janeiro em todos os níveis – desde pesquisadores, historiadores, jornalistas, que têm conhecimento da cidade, até moradores que têm histórias e memórias familiares. O apoio das autoridades públicas e dos empresários de ambos os lados também será crucial. “Todos sabem que esta fronteira é especial, poucos sabem como se tornou e como continua assim e, o mais importante, quão exemplar é num mundo onde as fronteiras são disputadas com armas.”

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